segunda-feira, 15 de abril de 2019

A transformação de um cristão

Nossa vida é marcada por mudanças. Costumes e hábitos são constantemente alterados conforme as experiências que cada um possui. São essas experiências que definem o rumo, o sentido da vida que a pessoa quer seguir, seja ele benéfico ou prejudicial para seu estado físico, mental ou espiritual. Esses costumes é hábitos dizem respeito a sua saúde física, mental, espiritual, financeira, social, intelectual. Hoje estudaremos um pouco mais sobre a saúde espiritual de uma pessoa que decide por livre e espontânea vontade seguir os passos de Jesus e seu processo de transformação em algumas áreas da sua vida.


Abramos nossas bíblias em uma passagem bastante conhecida, que está localizada no evangelho de João, capítulo 3.

“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. ” João 3:1-5

Antes de experimentar a conversão, uma transformação em Cristo, a pessoa em questão deve aceitar, inicialmente, o fato de que Jesus é seu Senhor e Salvador, e fazer aquilo que Ele não precisava fazer, mas deixou como exemplo e grande sinal para aqueles que desejam demonstrar a confissão pública do seu arrependimento: o batismo. Nicodemos, um dos principais dos judeus (fazendo referência ao farisaísmo), homem rico e membro do conselho nacional, o Sinédrio, viu em Jesus algo mais do que um simples homem. Suas palavras tinham autoridade, e seus milagres eram inexplicáveis e inquestionáveis sobre sua origem divina.

Sabemos que os fariseus planejavam de qualquer forma a morte de Cristo durante seu ministério, pois estavam cegos espiritualmente, e sua hipocrisia não os deixavam ver que o Messias estava à sua frente. Nicodemos é o único fariseu relatado na bíblia que procurou por Jesus em busca de uma solução para sua vida espiritual. Ele sabia que Jesus vinha da parte de Deus, e que de alguma forma, o Mestre poderia sanar essa aflição que estava em seu coração, a ponto de correr o risco de ser delatado por ter procurado a Jesus.

É assim o início da vida de um cristão. Reconhecer que precisa de ajuda divina, que é fraco e precisa de orientação espiritual para encontrar um rumo para sua vida. A partir do momento que aceitamos a ajuda de Cristo e passamos a seguir seus ensinamentos, a mudança, a transformação na vida do cristão começa a surgir em várias áreas, aspectos de sua vida. Vejamos alguns deles a partir de agora.

1. Transformação da carne

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. ” João 1:11-13

Sabemos que Jesus não foi bem aceito em sua casa. Muitos o rejeitaram, aliás, em sua grande maioria. Inclusive, o evangelho de João é conhecido como o evangelho da rejeição, pois deixa mais evidente que todos os outros evangelhos, a rejeição do povo escolhido de Deus pelo Messias que era Cristo Jesus. No entanto, João afirma que para todos que o receberam, lhes fora dado o poder de serem feitos filhos de Deus, para os que criam em seu nome. O verso continua deixando evidente que, para aqueles que nasceram novamente das águas e do espírito, não mais vivem da vontade da carne. Muito provavelmente, João estava falando do desejo sexual, mas fica implícito nesse versículo todos os outros desejos e vontades carnais que possuímos. Quando deixamos Jesus entrar em nossa vida, a vontade do homem se torna submissa à vontade de Deus.

2. Transformação na sociedade

“Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. ” João 17:14-18

Sabemos da grande dificuldade que temos em viver nesse mundo cheio de facilidades, em sua grande maioria, contra a vontade de Deus, e como conciliar esse estilo de vida com aquilo que Deus deseja de nós. Conciliar deixa de ser uma tarefa e passa a ser uma escolha. Conciliar é viver em dois mundos distintos, sabendo das consequências dos atos frente aquilo que conhecemos das escrituras sagradas. Escolher se deseja conciliar ou não é a atitude mais sábia, mas um lado deverá ser escolhido. O cristão verdadeiro deverá viver nesse mundo, mas abandonando as coisas desse mundo. Deus no dá forças e poder para vencer essa batalha, assim como Jesus venceu e nos deixou seu legado eterno, na base de muita oração e comunhão com o Pai. “Os apóstolos estavam no mundo, mas não compartilhavam do espírito do mundo. Eles foram enviados ao mundo a fim de influenciar outros a renunciar o mundo.” (Comentário Bíblico Adventista) Essa é a nossa missão hoje, primeiro satisfazendo-a em nós, para com um bom testemunho, ensiná-la aos outros.

3. Transformação na família

“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido. ” Efésios 5:33

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa). ” Efésios 6:1-2

“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente. ” 1 Timóteo 5:8

O marido tem o dever de amar sua mulher, assim como a mulher tem o dever de amar seu marido. Essa é uma tarefa individual, não coletiva. Um não deve esperar que o outro faça, mas cada um fazer o que Deus quer que faça, segundo seu amor a Ele e ao seu cônjuge, sem esperar mutuamente que o mesmo ocorra antes. Onde há amor e respeito mútuos, não surgirão questões que façam o relacionamento fracassar. Deus se faz presente e prospera a relação quando Ele é colocado em primeiro lugar.

Junto ao quadro familiar, vêm os filhos. A bíblia ensina a forma com que devemos educar os filhos, mas ela não se limita apenas às crianças. É certo de que a educação infantil é um marco para o bom relacionamento dos filhos para com os pais ao longo da vida. Mesmo assim, a Palavra de Deus é válida para todas as faixas de idade. Os filhos devem respeitar seus pais em qualquer fase, um filho que não honra os ensinamentos de seu pai certamente não honrará os ensinamentos de Deus. Obedecer aos pais não é apenas uma questão natural, é também a vontade de Deus. Inclusive, esse é o primeiro mandamento com promessa, pois aquele que honra seus pais, tem seus dias prolongados na terra pela misericórdia de Deus.

Por fim, o último versículo retrata a responsabilidade do chefe de família de não deixar faltar o sustento em sua casa, de modo que seus familiares não pereçam ou passem necessidades. Antes que a morte intervenha, todos os dependentes devem ser cuidados com zelo e estima, pois, assim como nosso Pai celestial não nos deixa faltar nada, deve acontecer o mesmo na casa de todos os que servem a Deus.

4. Transformação do pensamento

“SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda. ” Salmos 139:1-4

Sabemos que Deus conhece todas as coisas, até aquelas que ainda não aconteceram. O cristão deve vigiar quanto aquilo que ouve, aquilo que fala e aquilo que faz. Por que seria diferença aquilo que pensa? Pois qualquer atitude que tenhamos, todas procedem do pensamento. Cabe a nós hoje, decidirmos o que ocupará a nossa mente, para que dentro daquilo que pensamos, possamos produzir frutos que possam ser apresentados e recebidos com gratidão pelo nosso Senhor. Um versículo bastante conhecido na bíblia sobre o que pode ocupar a nossa mente está em Filipenses 4:8. Leia ele quando tiver dúvidas sobre o que deve ocupar a sua mente.

5. Transformação de atitude

“Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra. ” Salmos 119:67

O Salmo 119 é, por ventura, o maior Salmo de toda a bíblia. Possui 179 versículos, várias páginas, e fala unicamente sobre a Lei de Deus, do castigo para os que não a guardam, das bênçãos para os que a obedecem, e do quanto ela é perfeita e maravilhosa. Uma pequena parte dele, mais especificamente o versículo 67, mostra aquilo que muitos cristãos passam no processo de santificação: a mudança de atitude. Uma vez guardando a Palavra de Deus, e vivendo ela dia após dia, deixamos de praticar atos repudiados por Deus, cujas consequências apenas nos afligem, e passamos a saborear da perfeita vontade do Pai. Não existe coisa melhor do que deixarmos de sofrer pelas nossas atitudes e passar a experimentar aquilo que Deus tem preparado de especial para todos nós.

6. Transformação espiritual

“Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. ” Romanos 6:4

Novidade de vida, um vislumbre da morte do antigo eu e do nascimento de um novo ser, que aceitou deixar de viver uma vida amarga e dissoluta, passando a experimentar um novo estilo de vida agraciado por Deus. Novidade de vida nada mais é do que andar com o espírito de Deus, de deixar o Espírito Santo decidir nossas escolhas e tomar as melhores decisões por nós, convertendo-nos de nossos caminhos errados. Afinal, esse é o papel do Espírito Santo: convence-nos da verdade, levando-nos ao arrependimento e transformando nossas vidas segundo os ensinamentos de Jesus.

Conclusão

Amados, ainda que entendamos o poder de Deus na nossa vida e decidamos seguir a Cristo por meio de tudo que nos ensinou, de nada valerá se formos cristãos apenas dentro da igreja, e não fora. A transformação do cristão deve ser vista por todos, começando dos seus familiares, dos amigos mais íntimos e, saindo desse pequeno círculo, ser enxergado por toda a sociedade da qual fazemos parte. Devemos marcar nossa geração por meio dos nossos atos, das nossas palavras, da nossa demonstração de fé.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. ” Romanos 12:1-2

Que possamos ser exemplos de cristãos transformados em todas as áreas de nossa vida, e que através do nosso testemunho, mais pessoas possam se converter ao Jesus que tanto tem a nos ensinar.

sábado, 9 de março de 2019

Qual está sendo o meu testemunho?

É muito bom ir à igreja, encontrar e congregar com os irmãos em Cristo, estudar a bíblia, falar de Jesus às pessoas, não é mesmo? Jesus, antes de ser assunto ao céu, ordenou que seus discípulos espalhassem o evangelho a todos que estivessem a sua volta. Mas será que nós apresentamos Cristo às pessoas somente por meio da bíblia? Como nosso estilo de vida pode fazer com que outras pessoas conheçam o Salvador? Nesse estudo que faremos hoje, conheceremos um personagem bíblico que pode responder de forma bem simples essa questão: o endemoninhado geraseno.


No evangelho de Marcos, capítulo 5, podemos ver o relato da cura de um endemoninhado geraseno. Em algumas traduções poderemos encontrar província dos gadarenos, ou terra dos gerasenos, ambas se referem ao mesmo local. Gerasa era uma das 10 cidades que pertencia a região de Decápolis. Em meio aos sepulcros, vivia um homem que nada, nem ninguém, poderia contê-lo, até o momento que esse homem conheceu a Jesus. Confira a passagem:

"Chegaram então ao outro lado do mar, à terra dos gerasenos. E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras, Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e adorou-o; e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo. E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que não os enviasse para fora da região. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. Rogaram-lhe, pois, os demônios, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E ele lho permitiu. Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram. Nisso fugiram aqueles que os apascentavam, e o anunciaram na cidade e nos campos; e muitos foram ver o que era aquilo que tinha acontecido. Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em perfeito juízo; e temeram. E os que tinham visto aquilo contaram-lhes como havia acontecido ao endemoninhado, e acerca dos porcos. Então começaram a rogar-lhe que se retirasse dos seus termos." Marcos 5:1-17

História impressionante essa, não? Um homem que estava praticamente perdido, encontrou libertação por meio de Jesus Cristo. Há uma informação muito interessante nessa história, vale à pena falar sobre ela. A região de Decápolis era uma região pagã. Os porcos eram fonte de renda para os comerciantes, pois sua carne era consumida pela população. Quando a legião de demônios pediram a Jesus para entrar nos porcos, Cristo sabia que isso causaria grande prejuízo aos porqueiros. Jesus não foi enganado pelos demônios. Antes, queria apenas ensinar uma lição ao povo que conhecia a lei de Moisés, mas não a seguia.

Voltando ao relato bíblico, o endemoninhado geraseno estava praticamente perdido. Não havia ninguém que o pudesse livrar de seu fardo, pois estava totalmente dominado por Satanás. A sua história de conversão é impressionante, e veremos mais pra frente o poder que suas palavras passaram a ter depois do encontro com Cristo. Mas antes, para você conseguir entender a mensagem daqui em diante, vamos citar um texto escrito pela irmã White, que fala o seguinte.

"Estas lições são para nós. Os que alegam conhecer a verdade e compreender a grande obra a ser efetuada neste tempo devem consagrar-se a Deus de alma, corpo e espírito. No coração, no vestuário, na linguagem, em todo aspecto devem estar separados das modas e práticas do mundo. Devem ser um povo peculiar e santo. Não é o vestuário que os torna singulares; mas, pelo fato de serem um povo peculiar e santo, não podem levar as marcas da semelhança com o mundo." FEC - Pag. 311

Esse texto pode não parecer ter sentido algum com o sermão. Mas espere! Você já vai entender. Aqui, Ellen White fala a respeito de João Batista, o mensageiro de Cristo. João Batista foi alguém fora do comum. Ele se separou de tudo aquilo que o pudesse afastar-se de Deus. Amigos, luxos da vida. Vivia em simplicidade de vestuário e regime alimentar. Era um exemplo de Cristão, antes mesmo de Cristo iniciar seu ministério. Ellen White exorta que sejamos iguais à João Batista, e tomemos cuidado com o testemunho que damos às pessoas. Sim, aqui entramos no objetivo do nosso estudo: o testemunho que damos ao mundo. Vamos voltar à bíblia e acompanhar o final desse relato:

"E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. Ele se retirou, pois, e começou a publicar em Decápolis tudo quanto lhe fizera Jesus; e todos se admiravam." Marcos 5:18-20

Aquele homem conheceu o poder salvador de Jesus Cristo, e implorou para que o deixasse estar com Ele. Jesus conhecia a sinceridade de seu coração, mas não permitiu que isso acontecesse porque o ex-endemoninhado tinha agora uma missão: falar do amor de Cristo e de sua infinita misericórdia. O geraseno passou a ser um instrumento nas mãos de Deus para falar do amor de Jesus, de seus milagres e de sua bondade. Ela estava restaurado, e era uma prova viva do poder transformador de Cristo. Em qualquer lugar que fosse, contava sua história e impressionava todos ao seu redor. O versículo é claro: "todos se admiravam".

De igual modo, Ellen White relata que as lições de João Batista se aplicam a nós, pois como luz do mundo, nação eleita, povo de propriedade exclusiva de Deus, temos agora uma mensagem a proclamar. E de que modo falaremos do amor de Deus para as pessoas ao nosso redor praticando atos que vão contra as coisas que ensinamos? Se você não precisasse dizer absolutamente nada sobre Deus, qual seria então o poder de seu testemunho diante de seu vestuário, do seu hábito alimentar, das amizades que você possui, das palavras que saem de sua boca, das músicas que você ouve, dos inúmeros posts e compartilhamentos que você faz nas redes sociais? As pessoas estão vendo Jesus através de seus atos e de seu estilo de vida?

Ninguém dava nada àquele endemoninhado, e ele se tornou um grande missionário por toda Decápolis. O que ele pregava, ninguém sabe. Provavelmente era sua história de gratidão a Deus por tamanha misericórdia. Imagino que ele tenha convertido milhares de pessoas através de seu testemunho. Da mesma forma, Jesus nos alcançou, e resta-nos contar nossa história de gratidão e de transformação a quem nos ouve. Só fica uma pergunta no ar: qual está sendo o meu testemunho?

segunda-feira, 4 de março de 2019

O valor de uma amizade verdadeira

Você já se perguntou quanto vale uma amizade? Pois é, muitas vezes nos deparamos com algumas situações de nossa vida onde amigos fazem toda a diferença. Amigos podem nos ajudar, como também atrapalhar nosso desenvolvimento. Amigos podem nos trazer momentos de alegria, como momentos de tristeza. Amigos podem nos fazer seguir em frente, como também podem ser uma pedra de tropeço. Tudo isso depende de escolhas, e de uma análise minuciosa que devemos fazer ao declarar alguém como amigo. Por fim, amigos podem tanto nos levar à perdição, quanto ao caminho da salvação.


Na bíblia, encontramos uma história muito interessante que nos faz refletir sobre o poder de uma amizade. Nessa passagem em especial, ela conta a história de 4 amigos que fizeram toda a diferença na vida de um homem. Esse relato está no segundo capítulo do evangelho de Marcos, dos versículos 1 ao 12. Vamos ler:

"E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados." Marcos 2:1-5

Vamos imaginar a cena como se estivéssemos lá? Pois bem. Imagine você ao lado de Jesus, ouvindo palavras doces que saíam  de sua boca. Uma pregação maravilhosa vinda do Filho de Deus, com poder e grande autoridade. Aí de repente, você sente um pozinho cair sobre sua cabeça, e logo a quantidade de pó aumenta, a ponto de imaginar que o teto iria cair sobre todos que estavam dentro da casa a qualquer momento. De repente, você olha para cima e vê uma cama descendo do telhado, sendo baixada pelos 4 amigos do paralítico que nela estava deitado. Que visão!

O que levou os amigos do paralítico a essa atitude desesperada? A casa estava cheia, não cabia mais ninguém, e dentro dela havia alguém capaz de operar grandes milagres. Quando souberam que Jesus estava em Cafarnaum, com certeza a notícia se espalhou e chegou aos ouvidos dos 4 amigos. Fico imaginando o diálogo deles com o amigo paralítico: "Venha, um homem chamado Jesus está na cidade, e ele faz grandes milagres, ele pode te curar! " Enquanto o paralítico, provavelmente respondia: "Como vou sair daqui, meu caso não tem jeito. Se ao menos pudesse andar, assim eu teria uma chance de ver esse homem pessoalmente. " Mas os amigos não se importavam com as dificuldades, e provavelmente falaram: "Deixa de ser assim! Nós te levaremos, você é nosso amigo e não vamos te desamparar. "

Dessa forma, os 4 amigos do paralítico não perderam tempo e logo se apressaram em ir ao encontro de Jesus. Pegaram a cama com as próprias mãos e iniciaram aquele cortejo rumo à casa onde Cristo estava. Fico imaginando as pessoas zombando os 4 amigos do paralítico, dando risadas daquela situação, achando que eram um bando de loucos. Afinal, onde já se viu, um paralítico deitado numa cama e sendo carregado por 4 homens? Pois isso não desanimou aqueles homens, nem abalou a fé deles, e continuaram firmes no propósito de ajudar aquele homem que não tinha condições de sair de sua própria cama.

Ao chegaram no local, viram que não tinha espaço algum para sua passagem. Provavelmente eles pediram uma licença às pessoas que ouviam a pregação de Jesus, mas ninguém queria sair de seu lugar, queria aproveitar ao máximo as palavras do Mestre. Será que você desistiria de ajudar seu amigo se encontrando numa situação dessas? Os 4 amigos do paralítico não desistiram. Procuraram um meio de levar seu amigo até Jesus de todas as formas, até que enxergaram uma pequena possibilidade: o telhado. Se baixar a cama do paralítico deve ter sido um trabalho difícil, imagine então subir?

As dificuldades de nossa vida muitas vezes nos impedem de seguir em frente. Paramos no primeiro obstáculo e, logo, perdemos as expectativas de que algum plano que tenhamos vá dar certo. Quantos profissionais não se formaram devido à falta de dinheiro para pagar seu curso? Quantos casais se separaram por não crer mais que seu relacionamento poderia dar certo? Quantos pais não desanimaram ao ver que seu filho não tinha jeito? Quantos sonhos não se realizaram devido à quantidade de problemas encontrados no percurso? O paralítico tinha tudo para continuar paralítico, mas só obteve o caminho da salvação por meio da amizade.

"E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos." Marcos 2:6-12

A fé daqueles 4 amigos alimentaram a esperança de que o paralítico pudesse voltar a andar. Talvez o paralítico também tenha sido movido pela fé, mas o que se destaca nesse texto é a lealdade daqueles 4 homens para com seu amigo que não tinha nada a oferecer por eles. O que impressiona nesse texto é a amizade sincera que não enxerga obstáculos ou problemas, mas desafios que podem ser superados em favor de algo maior: o bem estar de quem tanto amamos. Sabemos que Jesus é capaz de perdoar pecados e dar a cura para todos aqueles que O buscam. Sabemos também que não há impossibilidades para Cristo, e que todas as coisas que Ele faz dão testemunho de Seu poder e autoridade sobre o pecado. Mas e as amizades que temos? Será que elas estão nos levando aos braços do Senhor ou está nos distanciando da casa de Deus? Será que os amigos que possuímos são bençãos ou maldição em nossa caminhada cristã?

Querido irmão e querida irmã, após ler esse texto, espero que o Espírito Santo toque seu coração, e o faça pensar sobre suas amizades. Não deixe que um grande amigo ou amiga o(a) faça distanciar dos propósitos de Deus para sua vida. Por maior que seja o companheirismo de seu amigo, lembre-se de que na hora da dificuldade, somente as amizades verdadeiras continuarão contigo, oferecendo ajuda quando você nada pode dar em troca. Procure em suas amizades pessoas de boa índole, de caráter, pois aparência não revela o que existe dentro do coração. De igual modo, seja um canal de bençãos para seus amigos, e permita que eles enxerguem através de você a pessoa de Jesus Cristo, proferindo palavras doces e suaves que fazem sua amizade ser um pedacinho do céu na terra.